5 de maio de 2014

Conferência de Imprensa de Pedro Passos Coelho e a saída "limpa"

Pedro Passos Coelho (PPC) apresentou ontem, dia 4 de Maio, em directo, a sua análise sobre a situação de Portugal no Euro, comunicando ao país que Portugal terá uma saída “limpa” da Troika (também conhecida como a “saída à Irlandesa”), ou seja, a saída sem recurso a uma linha de crédito especial.
Sabe-se – tendo sido noticiado pela imprensa ao longo da semana – que esta solução não terá sido aprovada de forma unânime pelo Governo, sendo que uma das principais opositoras a este processo era a própria ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque.


“Não foi este governo que provocou e depois pediu o resgate financeiro” foi uma das ideias-chave que PPC tentou passar nesta conferência: de facto, tem a sua quota-parte de razão, mas a verdade é que é este governo, formado por partidos e pessoas bem comprometidos com muitas das decisões erradas do passado, que nos quer manter no mesmo rumo, fazendo-nos acreditar que, utilizando os mesmos processos e soluções idênticas, o resultado final poderá ser diferente.

“Estamos no caminho certo e o país está a recuperar”. Não, não estamos no caminho certo – rejeitamos liminarmente essa falácia. Continuamos agarrados a uma UE que é conduzida pelo ritmo económico da Alemanha, que não é – nem será num futuro próximo – o ritmo económico da maioria dos países da presente UE.

“Esta não é a hora para voltar para trás”, dizia PPC. Não, não é. E não, não somos como algumas forças políticas da nossa praça que defendem a saída da UE e do Euro, proposta totalmente irreal e irresponsável que nos jogaria num isolamento do qual jamais iríamos recuperar; nem tampouco vemos como alternativa ao Euro essa idílica e fantasiosa “lusofonia”, que nunca nos trouxe nada de bom e nos afastaria irremediavelmente da nossa matriz europeia. Queremos sim uma UE à nossa medida, uma UE que reconheça que não há uma Europa a nível económico, mas sim duas Europas, e que recusa que seja a senhora Merkel, ou outro qualquer governante germânico, a impor a força de uma moeda e o valor de um custo de trabalho que economias mais fracas como a Portuguesa ou a Grega jamais poderão acompanhar.
“Esta é a decisão certa”, foi mais uma parangona que PPC nos vendeu nesta conferência de imprensa. Todas as economias pequenas que entraram no Euro sofreram as consequências de uma moeda forte para a qual não estão preparados, e podemos referir um dos exemplos mais gritantes que é a Eslovénia, país que registava um crescimento económico sustentado e custos de trabalho competitivos bem interessantes até 2004, data em que aderiu à UE. Em 2007 o Euro entrou definitivamente em circulação no país e, qualquer um que queira analisar os dados estatísticos deste país que o faça, e tire a suas conclusões: uma economia em queda livre! E note-se que estamos a falar de um país com muitas semelhanças a Portugal: pequeno, quase dois terços da população trabalha na área dos serviços, e o país tem (ou tinha?) fortes tradições na agricultura e pescas.

QUEREMOS A ALEMANHA FORA DO EURO!!! Que a Alemanha forme uma “1ª divisão” do Euro com os países que a quiserem acompanhar, e permitam que as economias mais pequenas formem uma “2ª divisão” da UE, por forma a manter um equilíbrio saudável para todos os povos Europeus, no respeito pelas suas especificidades e realidade. Naturalmente que sabemos que Portugal, sozinho, jamais poderá fazer esta exigência. Mas poderá propô-la e negociá-la com outros parceiros europeus que tenham interesses comuns, e começarmos dessa forma a construir uma Europa mais justa e mais preparada para os desafios do futuro.
 

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NOS somos Portugal!