28 de março de 2015

Eu Amo a Minha Família. NÓS Cuidamos dos Nossos!





Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014 – o que representa um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%. Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de 2%.

Estes são alguns dados assaz preocupantes que constam do relatório supracitado, tornado público nesta semana que findou, através da agência Lusa.
Para uma análise não superficial (e construtiva) destes dados, que nos remetem a problemas de maus-tratos relacionados com idosos e com crianças e jovens, há três questões essenciais cuja resposta se revela pertinente:

1) Quem faz – Quem é o responsável por estes actos?
2) Por que razão o faz – Qual a razão que o leva agir desta forma?
3) Quais as soluções/respostas que a sociedade pode (e deve) dar a esta problemática?

Ainda no mesmo relatório, e no que diz respeito à principal actividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados. A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma actividade profissional regular.

Sabemos, de facto, que num período de maiores dificuldades económicas estes problemas tendem a aumentar, sinal de de um certo tipo de cultura instituído na nossa sociedade. Numa sociedade puramente materialista e hedonista, o elemento que já não tem capacidade para produzir bens ou serviços, para gerar fluxos financeiros e, no geral, proporcionar um bem-estar (leia-se, material) à sua família, é um elemento que não tem qualquer valor (leia-se, acrescentado), e como tal, pode (e deve) ser descartável. Será que é neste tipo de sociedade que nos revemos?

Não querendo fazer deste pequeno artigo um “manifesto programático”, há alguns pontos muito simples - e que não vemos focados na comunicação social dita de referência - que queremos aqui realçar. Durante os últimos anos foram financiados pelo Estado alguns cursos, ministrados a desempregados, de apoio aos idosos. A estes formandos juntam-se os jovens que frequentam cursos profissionais no ensino básico/secundário de apoio à família (cursos cuja procura tem sido apreciável nos últimos anos). Todos estes formandos, na sua maioria, não encontram colocação no mercado e não conseguem dessa forma dar uma utilização, um “valor real” à formação que o Estado (leia-se, os contribuintes) lhe financiaram. Se há tantos idosos a precisar de apoio, e tantas pessoas formadas para prestar esse apoio, porque razão os primeiros não se encontram com os segundos? Não dizemos que tem de ser o Estado, obrigatoriamente, a pagar a essas pessoas para fazer esse trabalho, mas se o Estado gastou dinheiro dos contribuintes para essa função, pode (e deve) encaminhar essas pessoas para serviços de apoio locais (quer sejam das autarquias, quer sejam de associações privadas/comunitárias) para esse efeito. Se este trabalho não for feito, então não faz qualquer sentido que o Estado ande a gastar os seus recursos a formar pessoas, se depois esse formação não representa um valor real para a sociedade.

Especificamente no que respeita ao apoio que o Estado deve proporcionar às famílias que querem contribuir com “sangue novo” para a nossa sociedade – algo tão urgente quando temos em Portugal uma pirâmide demográfica excessivamente desequilibrada, em que o número de nascimentos não assegura a renovação de gerações necessária (por vezes compensada pelos nascimentos de não autóctones, o que configura uma substituição demográfica – com todos os custos que isso acarreta para o país, a longo prazo – reiteramos aqui os três últimos pontos que fazem parte do nosso programa para “Trabalho e Emprego”:
- Redução de um terço da jornada laboral para o trabalhador que tenha a seu cargo um menor de um ano.
- Redução de um terço da jornada laboral para um terço com direito a metade da sua retribuição salarial para o trabalhador que tenha seu cargo menores de 6 anos.
- Preferência ao trabalhador nacional no acesso ao posto de trabalho.

Numa família tradicional de uma sociedade responsável o idoso representa a história, as vivências, o legado dessa família. O idoso carrega consigo um saber e uma experiência que não se podem perder – factores que só são destituídos de valor numa sociedade egoísta e sem consciência histórica, como aquela em que vivemos no presente, e uma sociedade sem história nem passado é uma sociedade sem identidade, e como tal, é uma sociedade que não existe – sendo apenas e só uma abstracção transitória, cujo povo se torna fácil de manipular e controlar (culturalmente, leia-se). Para as gerações mais novas, o “avô” é o elemento da família mais habilitado a enquadrar  os jovens petizes na tradição familiar, na realidade da árvore genealógica – é o elemento fulcral para transferir aos mais novos os princípios e os valores associados à identidade da comunidade à qual a família pertence. E esta questão da identidade e do enraizamento não são questões menores: são a principal arma dos povos contra a globalização.

Tal como escreveu Jean Mabire, profundo conhecedor das tradições Europeias:
“O nosso mundo está prestes a nascer. Invisível como as flores e as sementes de amanhã, faz o seu caminho debaixo da terra. Temos já as nossas raízes solidamente enterradas na noite das idades, ancoradas no solo dos nossos povos, alimentadas com o sangue dos nossos antecessores, ricas de tantos séculos de certeza e de coragem que somos os únicos a não renegar. Entrámos no Inverno integral, onde se obrigam os filhos a terem vergonha dos altos feitos de seus pais, onde se prefere o estrangeiro ao irmão, o vagabundo ao camponês, o renegado ao guerreiro. Entrámos num Inverno onde se constroem casas sem chaminés, aldeias sem jardins, nações sem passado. Entrámos no Inverno. A natureza morre e os homens tornam-se todos os iguais. Já não há paisagens, já não há rostos. Vivemos em cubas. Com um pouco de química, iluminamo-nos, alimentamo-nos, não temos crianças a mais, esquecemos a luta, o esforço e a alegria. Sim, apesar das luzes de néon, das montras e das imagens do cinema, (…) entrámos num Inverno muito longo. Somos só alguns que trabalham para o regresso da Primavera”.

NOS fazemos parte deste pequeno grupo, e não queremos ser os últimos sobreviventes no meio de ruínas, mas sim os primeiros de uma nova frente de mudança.

E tu, estás conNOSco?