6 de abril de 2015

NOS Feminino - Violência Doméstica



Violência Doméstica - em particular a exercida contra as mulheres - marcou negativamente o mês de Março.

“Entende-se por violência doméstica toda a violência física, sexual ou psicológica que ocorre em ambiente familiar e que inclui, embora não se limitando a maus-tratos, abuso sexual das mulheres e crianças, violação entre cônjuges, crimes passionais, mutilação sexual feminina e outras práticas tradicionais nefastas, incesto, ameaças, privação arbitrária de liberdade e exploração sexual e económica. Embora maioritariamente exercida sobre mulheres, atinge também, directa e/ou indirectamente, crianças, idosas e outras pessoas mais vulneráveis, como os/as deficientes” (Resolução do Conselho de Ministros nº 88/2003, de 7 de Julho).

Em 2014 foram registados 15.724 crimes de violência doméstica contra as mulheres, e foram agredidas 19 mulheres por dia. Embora a definição de violência doméstica englobe mais que a violência contra as mulheres, estatisticamente está provado que é a mulher o alvo de mais agressões dentro de casa. Os agressores preferiram o uso de armas brancas, armas de fogo, o afogamento, o espancamento e até o fogo, para demonstrar o seu desagrado pelo divórcio, ciúme, ou até mesmo pela refeição mal elaborada por aquela que juraram amar e proteger aquando das trocas de amor que os uniram em matrimónio ou comunhão de vida de outra designação.

Devido à formatação inadequada que os homens sofrem nesta sociedade, é quase bem visto que o homem submeta a mulher ao seu lado, a atitudes menos próprias, que demonstram, que ainda temos muito que caminhar…. As mulheres de hoje são, como ontem, vistas como uma propriedade devido à formatação errada que a sociedade continua a incutir na estrutura social.

Obtivemos grandes conquistas nas áreas da liberdade de expressão fora de casa, e quando somos consideradas independentes de um homem, mas assim que se começa a namorar, já se sente o jugo da moral exacerbada em favor de uma submissão ao homem. Não adianta esconder a cabeça na areia e fazer o papel de heroínas que lutam pelo sustento, pela educação etc., se dentro de casa ainda somos agredidas, ofendidas, humilhadas e violentadas na dignidade e baixamos a cabeça, ou “deixamos andar“. A formatação social começa em casa e continua na escola. Que tipo de educação estamos a providenciar aos nossos filhos?

Este ano, já morreram mais de 5 mulheres às mãos do amor, perdoem-me esta ironia, mas é isto que vendemos às nossas filhas, a ideia que o amor mata. Vendemos às nossas filhas e aos nossos filhos a ideia errada de amor-posse e amor-violento como forma de amar, pactuamos com a formação de agressores, de pequenos ditadores das normas, direitos e liberdades que as suas esposas podem ou não deter.

Como comunidade feminina, temos virado a nossa preocupação, para a conquista dos direitos fora dos afectos e da segurança, eu não vejo problema algum nisso, vejo é problema em esquecermos que somos dignas de sermos mulheres protegidas e amadas ao invés de ofendidas e mutiladas.

Conquistámos o direito a voto, o direito a trabalhar fora de casa, o direito ao divórcio, o direito à educação. Muitos destes direitos são meramente formais, eles deveriam existir desde sempre, desde a idade da pedra que as mulheres trabalham, desde a idade da pedra que as mulheres decidem e sabem pensar por si, fomos sim, roubadas e aprisionadas, desde que se permitiu que o homem fosse exacerbado e exaltado como chefe de decisões.

Obviamente, existem diferenças de género, óbvias e que eu me orgulho de defender que se mantenham; eu adoro ser mulher, adoro ser mãe, ter a capacidade de gerar vida dentro de mim, de a colocar no mundo e educar o futuro através do exemplo que dou como mãe, porém tenho que me deparar com uma sociedade que se diz "diversificada e multicultural", mas que nega direitos básicos que já existiram na génese da sociedade Europeia.

Deve a mulher pagar pelo desequilíbrio emocional, económico, estrutural até, da nossa sociedade?
Março marca negativamente a nossa condição de mulher, a essência e a condição de mulher é sagrada. Ser mulher, primeiro que tudo, é ser educadora de futuros homens e mulheres que serão os descendentes herdeiros do que auferimos. Colocámo-los neste mundo, neste país, nesta terra, que tal fazermos deles e delas a perfeição na complementaridade de géneros?

Vale a pena investir em educação, em boas maneiras, gentileza, trato adequado; vale a pena investir na aceitação das diferenças que a mulher tem do homem e vice-versa e conseguir louvar essa ordem natural e que nos permite ser uma raça independente da clonagem ou da fertilização in-vitro. Vale a pena ensinar a amar e ensinar que o amor não é um campo de batalha, mas sim, um campo de sementeira, onde cada um coloca o seu melhor e colhe de acordo com o que investiu em tempo, doação, alegria e estabilidade.

Para finalizar, quero que se recordem que são fortes o suficiente para mudar uma nação. Basta querer.